Vítima de quem?

Crescemos observando modelos de comportamento que nos geram algum tipo de reação, e aos poucos vamos formando nossa base moral em torno das respostas que nosso inconsciente envia diante de determinadas circunstâncias.

Um papel recorrente, tanto nas histórias que nos foram contadas durante a infância quanto na mídia em geral, é a oposição carrasco-vítima. A vítima, injustiçada e maltratada, acaba sempre gerando empatia com o público, que se compadece com a situação da pobre criatura e imediatamente recrimina o carrasco, caindo na velha batalha do bem contra o mal. A situação onde esta personagem é posta desperta o sentimento de pena, enquanto seu repressor é marginalizado e tomado como exemplo negativo. No fechamento do enredo, para alívio do espectador, a vítima encontra uma maneira de acabar com o seu tormento e o carrasco sofre as conseqüências por seus atos.

Considerando a maneira como os fatos são contados, a tendência é seguir qual dos papéis? O politicamente correto, que contorna seus problemas através de acontecimentos aleatórios e consegue ser “feliz para sempre”, ou o monstro que começa por cima, desafia o herói a ponto de salvá-lo de sua “vítima interna”, e tem à sua frente um destino bem pior? Será que devemos escolher um dos lados?

Vivemos em um mundo de dualidades, e tudo, incluindo o homem, é feito de opostos. Realidades conflitantes coexistem em todos nós o tempo todo, e interpretações superficiais das histórias que permeiam nosso desenvolvimento criam um senso moral desnecessário e até mesmo prejudicial. No modelo acima, por exemplo, alguns descartam totalmente o valor do seu carrasco, aquele que desafia, que contesta, que age. Por que aceitar a sombra se é mais fácil identificar-se com aquele que é salvo pelos eventos, não toma atitudes, não sai do papel a ele imposto?  Claro que “o injustiçado” está em nós também. Todos sofremos, todos choramos, todos passamos por situações que não apresentam saída imediata. Cabe ao nosso “carrasco”, no entanto, impor um limite ao sofrimento e começar a renovação.

Nossa realidade é cruel e nossa tendência é se proteger. Instinto de sobrevivência é essencial ao ser humano. Vestir a carapuça da vítima interna muitas vezes tem suas vantagens, mas vale lembrar que nem sempre seremos resgatados pela fada madrinha ou pelo príncipe encantado. Cabe a cada um levantar com as próprias pernas e decidir até quando ficar de joelhos limpando o chão alugando o ouvido dos ratos.

~ por Ric Virmond em Janeiro 21, 2008.

Uma resposta to “Vítima de quem?”

  1. Aeeeeee

    Vc eh foda nem preciso dizer o qtu pago pau pra vc!

    isso ai…continua assim q vc vai longe meu garotinho!

    =*

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